Mark Twain e o Banho de Surfe

Gabriel Pierin

No dia 30 de novembro de 1835, o cometa Halley estava visível no céu, quando Mark Twain chegou ao mundo na vila chamada Flórida, no Missouri. O famoso escritor nasceu Samuel Langhorne Clemens, mas foi com o pseudônimo que tornou-se conhecido no mundo todo.

Mark exerceu diversas atividades antes de experimentar o jornalismo na cidade mineira de Virgínia City, Nevada. Em 1864 mudou-se para a Califórnia e foi repórter do San Francisco Morning Call, onde permaneceu pouco tempo e foi demitido.

Em plena Corrida do Ouro americana, ele viajou para o condado de Tuolumne para procurar o metal precioso, mas não achou nada. Mark acabou encontrando uma rica veia de histórias locais e escreveu o conto “Jim Smiley and His Jumping Frog”. Em 18 de novembro de 1865, o conto humorístico foi publicado no The New York Saturday Press e alcançou sucesso nacional.

Em 1866 Mark foi contratado pelo Sacramento Union, um grande e influente jornal diário. Os proprietários do The Union enviaram Mark às Ilhas Sandwich, como era chamado o Havaí, para escrever quatro artigos mensais por 20 dólares cada. O relato sobre o Havaí foi o primeiro documento público escrito sobre surfe e influenciou gerações de escritores. Sua visita à Costa de Kona, na Ilha Grande, teve o seguinte relato:

“Em um lugar deparamos com um grande grupo de nativos nus, de ambos os sexos e todas as idades, divertindo-se com o passatempo nacional do banho de surfe. Cada pagão remava trezentos ou quatrocentos metros mar adentro (levando consigo uma prancha curta), depois ficava de frente para a costa e esperava que uma onda particularmente prodigiosa aparecesse; no momento certo ele lançaria sua prancha sobre a crista espumosa e ele mesmo sobre a prancha, e ali viria zunindo como uma bomba! Não parecia que um trem expresso-relâmpago pudesse voar a uma velocidade de arrepiar os cabelos. Tentei o banho de surfe uma vez, posteriormente, mas fracassei. Coloquei o tabuleiro bem e no momento certo também, mas perdi a conexão sozinho. A prancha atingiu a costa em três quartos de segundo, sem nenhuma carga, e eu atingi o fundo, quase ao mesmo tempo, com alguns barris de água em mim. Ninguém, exceto os nativos, jamais dominou completamente a arte de banhar-se nas ondas.”

Ele ainda documentou operações açucareiras, costumes nativos, missionários, paisagens naturais, tragédias marítimas, tradição venerável e política local. Para conhecer o lugar, Mark alugou um cavalo e ficou pasmo ao ver a lava jorrar do vulcão Kilauea em erupção e ossos de antigos guerreiros de batalhas espalhados na areia de uma praia. As cartas formam um enredo maravilhoso para qualquer pessoa que deseja conhecer a história do Havaí. Depois de cinco meses de viagem, Mark voltou como o homem mais conhecido da costa do Pacífico.

Mark Twain tinha 30 anos quando visitou o arquipélago e sonhou um dia voltar. Em 1872 ele publicou os escritos de suas viagens e experiências na autobiografia Roughing It. Mark morreu em decorrência de um ataque cardíaco no dia 21 de abril de 1910, um dia após o Halley passar novamente na Terra. Sua vida teve o tempo do ciclo do cometa, mas a sua memória permanecerá viva pela eternidade.

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